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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011 ... 2012

Mais um ano se passa. Muitas alegrias, tristezas e principalmente aprendizados, a melhor palavra para descrever mais um ano de blog. E neste momento admito que  não sou um escritor como os meus colegas de blog porém isso nunca foi um obstáculo para escrever o que acho conveniente. Aliás o que importa nem é se está certo a forma de escrever e sim se o que está escrito está sendo entendido.

Quero vir aqui agradecer ao Rodrigo Picon por tudo que me ensinou e também por ter sugerido a idéia da junção dos blogs As Vertigens e Escritos Diabólicos. Também quero agradecer ao Rhuan churchil por aceitar o convite e estar participando deste projeto.

Agora, o que eu poderia desejar para o ano que vem? Acho que esse ano foi de grande importância e nessa reta final só tenho a agradecer aos que sempre estiveram juntos neste projeto. As pessoas que respeitam as diferenças, as que vivem dias de luta e dias de glória, e as que acreditam que sempre há uma nova chance para reencontrar-se e recomeçar. E que se nos últimos instantes do dia 31de dezembro serviram para que em apenas um pensamento  reflita o que você espera do amanha. Que a convicção  de ser um Homem simples já baste e que o hoje e o amanha seja uma ótima chance de reflexão.

A importância dos erros em nossa vida  também deve ser lembrada como uma trilha sonora que soa em nossa mente. Aliás, O que é música? Apenas uma forma de expressar  as vertigens que sentimos. Que neste próximo ano a felicidade tome conta de você quando o amor bater a porta e ai aquela dúvida nasce. Então, para onde ir? Pode ficar tranquilo, a vida faz a gente aprender a aprender como as  histórias da a arvore e o garoto, dois garotos e um homem pobre e As Palavras de um anjo. E que este apenas um pensamento reine trazendo dias melhores e alegres como o jeito similar dos Mamonas Assassinas.

2011, sem sombra de dúvida, foi um ano marcante em minha vida. Acompanhei o Lançamento do Livro "O Massacre em Violenttown", emocionei-me com As Palavras de um Anjo, amedrontei-me com a Lenda do Pavoroso Quarto 28 e com O Jogo Maldito dos Smurfs, indaguei, como todos, Até quando? pessoas inocentes vão morrer; diverti-me ao saber como são os "Dias de Dor de Barriga" e revoltei-me com os acontecimentos do Conto "Éramos cinquenta", conheci a história do santo Padre Miguel e a pavorosa história do O Invasor; joguei a história do Jogo Mais Assustador de Todos os Tempos e acompanhei Fritz e Kajre na descoberta do verdadeiro assassino no O Caso John Grishard.
Tem certos momentos em nossa vida em que paramos para refletir, para pensar, para indagar-me se realmente tudo aquilo que eu estava fazendo era certo. Pensava se realmente o 11 de setembro de 2001 foi o maior atentado da História, quando percebi estar mergulhado numa completa e sublime Solidão, assim, ao me verem naquele estado, me alertaram: Cuidado ao Pensar!, e me indaguei: A Inteligência nos faz superiores?

E que 2012 nos permita, No meio do caminho ter uma pedra, obstáculos são necessários para um real aprendizado, como quando aprendemos sobre liberdade quando conhecemos a história do O garoto livre. E que no próximo ano as nossas digitais fiquem marcadas em um certo violão que tenha o objetivo de contar histórias que nos façam bem para quando o amor bater a porta.


Feliz ano novo para todos!!!!!!

Rodrigo Picon e Douglas Andrade

domingo, 25 de setembro de 2011

Éramos cinquenta

Éramos cinquenta. Apenas cinquenta pessoas que se organizaram em busca dos seus direitos como cidadãos. No final daquele dia, éramos um só corpo, formado por mais de um milhão de pessoas.

Aquele dia 24 de julho vai entrar para a história de nossas vidas, foi um dia que provou a todos que, quando quer, o povo é unido.

Tudo começou não naquela gélida manhã de sábado, mas sim muito antes. Quando? Praticamente na última eleição, quando o novo corpo parlamentar foi eleito, ou talvez no dia 1º de janeiro, quando este foi empossado. Não importa exatamente o dia, importa saber que estes novos parlamentares roubaram enquanto puderam de nós, do povo. Roubaram até o dia em que saiu uma bomba, uma reportagem nas principais emissoras de TV do país, alegando um enorme esquema de corrupção, que ia do Presidente da República ao faxineiro do palácio. Bilhões e bilhões de reais desviadas paras as gordas contas bancárias dos políticos, através do apelidado Presidenteduto, ou seja, o presidente foi o mentor do rombo aos cofres públicos.

Naquela noite, eu e mais uns amigos meus, todos estudantes indignados com o Presidenteduto, resolvemos dizer um "Basta!" e mostrar aos políticos de que o povo não queria mais somente "pão e circo" e que o povo queria um "Basta!" em tamanha corrupção.

Resolvemos nos unir em frente ao palácio presidencial na manhã seguinte, 24 de julho, um sábado. Fizemos cartazes vilipendiando a imagem dos políticos e chamamo-nos de tudo o que imaginar de chulo. Era hora de ir às ruas, e assim fizemos. Na manhã seguinte, encontramo-nos em frente ao palácio presidencial. Conseguimos reunir cinquenta pessoas, dispostas a manifestarem por horas e dias, se fosse necessário, até o Presidente da República pedir desculpas para o país em frente às principais emissoras, além de devolver nosso dinheiro. Sabíamos que era pedir demais, mas não podíamos deixar mais um escândalo passar impune.

E lá estávamos na manhã seguinte, em frente ao palácio presidencial, hasteando nossos cartazes e gritando "Fora, ladrões!", desde 8 da manhã. Éramos cinquenta, apenas cinquenta, mas, com toda certeza, éramos os porta-vozes de toda a população brasileira.

Depois de uma hora gritando e manifestando, já havíamos chamado a atenção das emissoras e de toda a população, não só da capital, mas de todo o país. Chamamos também a atenção de nossos parlamentares, que não estavam nem um pouco felizes com aquela situação.

Uma hora depois, não havia sequer uma resposta dos políticos, nem da polícia. Nesse momento, subi em um improvisado palanque e comecei a discursar. Era hora de incitar os manifestantes.

- Povo aqui presente, meu nome é José. José da Silva. Um nome comum, como de todos vocês aqui presentes. Um nome comum, dado a uma pessoa comum, como todos vocês. Pessoa comum, trabalhadora, que soa a camisa diariamente para colocar comida na mesa de minha casa, eleitor, como todos vocês, mas que já está cansado dessa roubalheira sem freio - os manifestantes foram se incitando diante das palavras por mim proferidas - Ninguém aqui aguenta mais tamanha roubalheira. Ninguém aqui mais aguenta os políticos roubaram o nosso dinheiro, conseguido com o suor de nosso trabalho diário, e ainda por cima esses miseráveis ainda zombam, ainda debocham de nossas caras. Eles acreditam que nós, o povo brasileiro, somos otários, que engolimos calado todos esses escândalos. Eles também acreditam que podem, em época de eleição, pedir nosso voto, que daremos. NÃO SOMOS BURROS. ESTAMOS CASADOS DESSA ROUBALHEIRA. QUEREMOS JUSTIÇA.

No momento em que citei a palavra "JUSTIÇA", ela se tornou a nossa voz. Em um coro, todos começaram a gritá-la, incessantemente. Gritamos até aparecer o chefe da polícia e dizer para os manifestantes:
- Seus vagabundos, vão trabalhar ao invés de ficarem aí, à toa. Vão estudar, vão tomar um rumo de suas vidas. Vão capinar uma horta, faz algo de útil, ao invés de ficarem aí, vagabundeando. Se realmente trabalhassem, não estariam aí vagabundeando. Dou-lhes meia hora para saírem daí, ou prenderei a todos.

As palavras do chefe de polícia, ao invés de intimidar os manifestantes, deixaram-nos mais incitados. De forma uníssona, os manifestantes começaram a vaiá-lo, abafando qualquer palavra que ele ousasse proferir naquele momento. Entretanto, quando eu peguei para falar, todos se silenciaram. Eu estava no comando dos manifestantes. Virei para o chefe da polícia e disse:

- Estamos no exercício de nossa cidadania. Não somos obrigados a obedecer sua ordem. Não é legítima - o povo me aplaudiu, deixando o chefe da polícia mais irritado que antes - Podemos fazer manifestações como bem nos aprouver, e é indigno que você ou qualquer outro faça o que está fazendo. Se é capacho dos políticos, não é problema nosso - a incitação dos manifestantes chegou em seu auge - Não estamos depredando nada. Você não pode nos prender.

Houve, em seguida, um imenso aplauso.

- É o que veremos! - disse o chefe de polícia, enquanto se retirava, sob uma intensa vaia

Continuamos por ali, durante meia hora. Ninguém ficou temeroso diante a ameaça da polícia. Pelo contrário. Estávamos confiantes, confiantes de que tudo era somente um blefe.

9 horas e 30 minutos daquela gélida manhã de 24 de julho. Continuávamos firmes em nosso objetivo, firmes e filmados, porque estávamos em todas as emissoras de TV, que vira e mexe dava plantão sobre aquela manifestação. Mas o que estava por vir foi além de um simples plantão de emissora de TV.

Naquele trigésimo minuto da nona hora daquele sábado estamos uma pesada cavalaria, literalmente falando, se aproximar da gente. Olhamos, estupefatos. Foi quando vi a repressão cavalgando, literalmente, em nossa direção. Lembrei-me dos meus pais contando seus dias na época da ditadura, o calar da força opressora em cima dos cidadãos. E, naquela manhã de 24 de julho, a ditadura estava mostrando que seus resquícios ainda perambulavam pelo Brasil.

Vinha uma enorme cavalaria em nossa direção. Armados de cassetetes, a polícia estava disposta a nos enxotar daquele local de toda maneira. Assim que vimos a cavalaria, largamos nossos cartazes e saímos correndo. "A polícia havia vencido a manifestação e os políticos continuariam no poder, nos roubando a cada dia. Seríamos considerados baderneiros, pessoas contrários à ordem social e política do país e os ânimos da população logo se acalmariam", esse era o meu negativo pensamento daquele instante.

Os manifestantes se dispersando rapidamente, como formigas. Mesmo dispersados, correndo como loucos, os policiais ainda corriam em nossa direção. Eles queriam nos prender a todo custo, principalmente a mim, que era o cabeça da manifestação.

Consegui fugir da polícia durante cerca de dez minutos, mas acabei sendo pego. O chefe da polícia, a cavalo, em derrubou com um golpe de cassetete na nuca. Caído no chão, tentei me arrastar, já que o golpe arrancara momentaneamente minhas forças para andar. Entretanto, o policial desceu do cavalo antes que eu conseguisse fugir dele, e ele começou a me surrar, enquanto dizia:

- Pensou que fosse fugir? Você me deu trabalho. Mas agora acabou. Eu vou te prender, e vou te surrar tanto, que você vai pedir para nunca ter nascido.

O chefe da polícia começou a me surrar. Estava perdendo a consciência. Contudo, por sorte minha, um dos cinegrafistas presentes estava próximo a mim e filmou a cena de violência e as vociferações do polícia. E aquela imagem, passada ao vivo para toda a nação, causou o ódio geral da população.

Depois de minutos e minutos de surra, o policial me levou para ser preso. Eu estava um bagaço, a bochecha e o olho esquerdos estavam inchados. Meu nariz e boca sangravam, minhas costelas doíam horrores e eu estava cheio de hematomas pelo corpo. Não conseguia fazer absolutamente nada, só escutar e enxergar, com o resto de minha consciência. Percebi que meus amigos também apanharem bastante, menos do que eu, o cabeça da manifestação, mas todos os cinquenta manifestantes foram surrados. Estávamos sendo colocados nos camburões, quando escutamos alguém chamar no rádio da polícia, desesperado:

- Viatura 22, viatura 22... Solicitação de todas as unidades no centro da cidades. Urgente! A população está nervosa, tomou os principais postos da cidade - Correios, hospitais, universidades e escolas, e está depreciando tudo. Não temos mais como parar esse quebra-quebra. Solicitação urgente de reforços!

Naquele momento, percebi que minha manifestação, a ação da população e, talvez o principal, as surras, não foram de tudo em vão. A cena da polícia oprimindo de forma violenta uma mera revolta popular, de cinquenta pessoas, completamente desarmadas, incitou a população, que rapidamente lembrou-se da era negra da ditadura.

Éramos cinquenta. No final daquele dia, éramos um só corpo e uma só voz, uma voz que gritava "Basta!"

sábado, 14 de maio de 2011

Apenas um Pensamento 2


Há algum tempo venho pensando sobre algo que mexeu bastante comigo. Sei que de um modo geral isso mexeria com qualquer um. É normal você gostar de alguém a primeira vista ou depois de algum tempo que se conheceram. Acho que isso não tem uma regra específica. O que é importante neste contexto é dar a importância ao que você sente.


Gostar de alguém com tão pouco tempo ou conviver com uma pessoa a tantos anos e só agora perceber o quanto que gosta dela não pode ser considerado um exagero por ninguém. O erro é não falar o que você está sentindo. As vezes esquecemos que vida é curta demais e adiamos situações que não poderiam ser adiadas por medo do que podemos sentir pelo simples fato de receber uma resposta que não esperávamos. Nada é previsível na vida. Aliás o que dá para prever é como que  um não pode modificar muito o nosso modo de encarar as coisas. 


Já ouvi pessoas dizerem que não acreditam em amor a primeira vista ou que por traz disso sempre há algum interesse envolvido que não seja o próprio sentimento. Porém até essas pessoas não podem negar que um dia amaram alguém. Talvez tenham desistido de lutar pelo que sentem. Mas eu te digo que é preferível ir a guerra do que ser atingido pela inoperância. É preferível morrer no campo de batalha do que se entregar sem ao menos ter lutado. 


Feliz daquele que hoje chora por não ter sido correspondido pois no fundo ele pode ter a certeza de que a parte dele foi feita e a dor que sente agora um dia irá passar. Já aquele que não foi sincero consigo mesmo terá que aguentar a dura dor em sua consciência por não ter sido verdadeiro nem consigo mesmo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Apenas um Pensamento


Hoje não sou mais o mesmo que fui a alguns instantes. A cada minuto as coisas se modificam numa velocidade incrível. Amigos chegando e outros partindo. Histórias vão acontecendo em cascata empurrando as antigas para longe, se tornando apenas lembranças em dias de solidão. Porque não acreditei num sonho? Porque não me esforcei pra seguir em frente? Deve que foi mais fácil pensar que era impossível como a maioria das pessoas falam dos seus próprios sonhos. Porque amigos vão embora e nos deixam sozinhos? Deve ser porque outros estão vindo. Mas como é difícil encontrar pessoas iguais a nós.

Eu e a minha solidão sentada num canto compondo uma canção que só o meu intimo entende porque isto. Se alguma outra pessoa ouvir entenderá diferente, pois nem tudo tem a mesma explicação, nem tudo volta ao início. Aliás nada volta ao início. Porque não mostrei para ela o que sentia? Porque não falei o que deveria? Fiquei novamente no ponto vendo o ônibus passar. Porque não encarei o desafio? Porque não pulei no infinito do imaginário mais fértil de acreditar em tudo que falam de superar os obstáculos que aparecem a cada dia na nossa frente? É porque cai tão bonito, mas aprendi que é o tombo o melhor livro de auto-ajuda. E que sou igual a tanta gente porem cada um com as suas idéias de como levar a vida em frente.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Solidão


Um certo dia, eu acordei
Ao me olhar no espelho
Percebi que fiquei mais velho
Mas será que mais velho fiquei
Por que o dia de ontem passou
Ou por que sozinho estou?

Indago-me a cada passo que dou
Na vã estrada da solidão
Se os deuses nunca olharam um pouco para mim

Indago-me ainda
Na doce desilusão na qual me encontro
Se um frágil raio de luz
Não poderia iluminar meu caminho

Solidão
A mais triste das palavras
O estado que eu me encontro
Perdido numa porção de pensamentos
Que não se ligam

Solidão
Mais podre das palavras
Me contagiou
Naquela manhã, naquela ensolarada manhã
Quando nos separamos eternamente

A cada dia, eu vejo seu reflexo no espelho
O espelho cujos reflexos são amargas dores
E escuto sua voz, cálida voz
E sinto seu perfume, doce perfume

Sentado estou, em frente ao espelho
Mas meus reflexos não chegam até mim
Porque cego estou por causa da solidão
Única coisa que meu reflexo reflete
É o reflexo de minha amada
Cuja forma existe apenas
Em forma de imagem

Faça-a voltar, faça-a voltar, faça-a voltar
Dor no coração estou
Caio de joelhos para pedir súplica

Me encontro no mais profundo desespero
Neste fechado recanto
Minha alma eu prendi
E a chave se encontra
No meu pensamento, no meu mais profundo pensamento
Sem seu cálido sorriso, cálido sorriso, cálido sorriso

Louco estou
Louco por querer tê-la de novo
Em meus braços
E dar-lhe abraços
Seu coração pulsando, seus pulmões respirando

Faça-a voltar, faça-a voltar, faça-a voltar
Ó deus poderoso,
Faça-a voltar
Para finalmente eu conseguir
Achar a chave para poder sair dessa solidão
Sublime e obscura solidão