quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Fantasma da Sala




Raphael era uma pessoa desprezível: cria amizades e inimizades de acordo com seus interesses, inescrupuloso, corrupto, safado, pisava nas pessoas... era casado com Amanda, entretanto, duas pessoas por semana dormia na residência de Nathalia, sua amante.
Naquela sexta-feira, 13, Raphael se encontrava na residência de Nathalia. Depois de fazer amor com sua amante, Raphael deitara-se, sob as cobertas, nos braços da garota, na cama da mesma. Assistia TV. Repentinamente, desvencilha-se de sua amante e levanta-se.
- Aonde vai, amor? – perguntou Nathalia, com uma voz sensual, enquanto se ateava em arrumar os lençóis, a fim de cobrir seu corpo volumoso
- Vou ao banheiro! – disse Raphael. Apenas de cueca, caminhou em direção à porta do quarto e abriu-a. Ultrapassou-a e fechou-a as suas costas.
Ao sair do quarto, desembocou-se em um pequeno corredor, que saía, à frente, na cozinha, à esquerda, em um segundo quarto e, à direita, na sala da residência.
Caminhando em direção à cozinha, onde se encontrava a porta para adentrar-se no interior do banheiro, Raphael ultrapassou a entrada da sala. Esta não havia porta, a fim de bloquear a visão de seu interior.
De relance, o rapaz percebeu haver, além do costumeiro sofá e, à sua frente, na parede adjacente à porta, a TV, havia uma silhueta sentada no sofá, fitando a tela do aparelho. Naquele instante, sobressaltado, uma vez que a estranha silhueta era humana, parou. Postou-se a fitar, estarrecido, tal figura.
Parecia ser uma garota, de não mais do que dezoito anos. Tinha cabelos enegrecidos, que escondiam o seu rosto, e vestia uma túnica branca, desgastada pelo tempo.
- Quem... é... você?! – perguntou Raphael, temeroso, por estranha figura ter invadido a residência de sua amante
A garota virou o rosto em direção ao rapaz. A pele de seu rosto era incrivelmente branca, tão igual ou até mesmo superior à dos braços e pernas. As órbitas dos olhos eram tomadas pela escuridão.
Naquele instante, a estranha invasora abriu a boca como se gritara, embora não emitisse nenhum som. Sua boca igualmente fora tomada pela escuridão consistente em seus olhos, e o rosto da garota tornou-se algo medonho, demoníaco.
Um grito de Raphael tomou conta do cenário. Era um grito contínuo, carregado de medo e pavor. Nathalia, sobressaltada com tal fato, levantou-se, com um só salto, do alto da cama. Pisou em falso no chão e segurou-se para não cair. Desvencilhou-se do lençol que lhe prendia e caminhou, nua, em direção à porta, às pressas, gritando pelo amante.
Tentou abrir a porta, entretanto, a mesma se encontrava trancada. Nathalia estranhou tal fato, pois não havia chaves na fechadura. Tentou girar a maçaneta, todavia, sua mão se encontrava suada, por causa do desespero, o que dificultava tal trabalho.
O grito de Raphael cessou. O coração de Nathalia parou em seu peito. A porta se abriu. Por um instante, a garota estranhou tal fato, contudo, não havia tempo para analisá-lo. Saiu do quarto e postou-se frontalmente ao corredor. Vazio, completamente vazio.
Nunca mais alguém, nem Nathalia, nem Amanda, nem ninguém, viu ou ouviu falar em Raphael...


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